Monday 6 April 2020
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dnoticias - 11 days ago

Redes criminosas estão a aproveitar perturbação criada pela Covid-19

Redes criminosas em algumas regiões estão a aproveitar a perturbação criada pela pandemia de covid-19 e a aumentar as suas atividades, alertou hoje a Iniciativa Global contra o Crime Transnacional Organizado, apontando, entre outros exemplos, o da Guiné-Bissau.A Iniciativa Global contra o Crime Transnacional Organizado (GI-TOC, na sigla em inglês), com sede em Genebra, lançou hoje o projeto #CovidOCWatch, que pretende monitorizar o impacto da crise global de saúde nas economias ilegais, bem como explorar a sua relação com o crime organizado.A organização não-governamental (ONG), que junta uma rede de 500 especialistas em direitos humanos, democracia, governação e desenvolvimento, afirma ter já recebido informações de várias regiões que “indicam que as redes criminosas já estão a capitalizar a perturbação”, criada pelas medidas adotadas para responder ao novo coronavírus e pela concentração dos esforços da polícia na aplicação dessas medidas.Guiné-Bissau, Albânia, Colômbia, África do Sul, Quénia, China, Laos e Suíça são exemplos de países de onde surgem sinais preocupantes de como o crime organizado está a tirar proveito dos efeitos da luta global contra a doença.Produção e tráfico de droga, tráfico de imigrantes e subversão das regras da quarentena e do estado de emergência, esquemas fraudulentos de recolha de dinheiro alegadamente contaminado com o novo coronavírus, saqueamento de habitações a pretexto de as desinfetar ou tráfico de espécies protegidas são algumas das denuncias que surgiram destes países.Na Guiné-Bissau, considera a GI-TOC, “redes criminosas e elementos corruptos da polícia estão a capitalizar o tumulto gerado pela pandemia”.“O facto de um avião ter sido avistado a aterrar a 18 de março - depois de o aeroporto ter fechado para evitar a aterragem de passageiros infetados - levantou fortes suspeitas de que o encerramento está a ser usado como um disfarce para a aterragem de aviões que transportam cocaína”, adiantou a organização, que cita informações do seu observatório na África Ocidental e de pessoal baseado em Bissau.A nível mundial, a organização assinala que o setor da saúde se tornou num alvo prioritário dos grupos criminosos, com o aumento exponencial das vendas de produtos médicos falsificados, bem como com um registo crescente de ações de contrabando e roubo de medicamentos.Os esquemas fraudulentos ‘online’, a desinformação e outros cibercrimes estão a tornar-se “uma indústria florescente” potenciada, segundo a organização, pela quantidade de tempo que as pessoas em confinamento passam na Internet.“Está a surgir uma série de esquemas de ‘phishing’ relacionados com o coronavírus, nos quais criminosos personificam fontes de informação confiáveis, como a Organização Mundial de Saúde, para espalhar ‘malware’ ou recolher informações pessoais”, apontou.A Interpol emitiu um alerta contra fraudes nas quais as pessoas são enganadas para comprar equipamentos médicos inexistentes, fazendo pagamentos em contas controladas por criminosos, estimando-se que tenham já sido extorquidos milhões de dólares.Por outro lado, a ONG admitiu que as restrições de viagens e movimentações em espaços públicos e a drástica redução na atividade económica e no comércio internacional possam travar alguma atividade criminosa, como a violência nas ruas, mas estimou que este será um “impacto de curto prazo” e que rapidamente as redes criminosas se adaptarão à nova realidade.


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