Wednesday 1 April 2020
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dnoticias - 6 days ago

Paquistão vai manter mesquitas abertas apesar de impor restrições

O Paquistão vai manter as mesquitas abertas com restrições, apesar de o país já ter confirmado oito mortes e 1.123 casos de infeções causadas pela pandemia covid-19 e implantado confinamentos em todo o país.“Decidimos que as mesquitas não serão fechadas”, disse o ministro de Assuntos Religiosos do Paquistão, Noor-ul-Haq Qadri, numa conferência de imprensa hoje realizada em Islamabad.O ministro adiantou, no entanto, que pessoas com mais de 50 anos e crianças não poderão ir às mesquitas e serão convidadas a rezar em casa.A decisão foi tomada numa reunião do Comité de Coordenação de Coronavírus, presidido pelo primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan.Antes da reunião, realizou-se um encontro entre os principais clérigos do país e o Presidente, Arif Alvi, para decidir o que fazer em relação às mesquitas, tendo a decisão que saiu desta reunião sido adotada pelo Governo.“Foi acordado que as orações serão mantidas nas mesquitas e será pedido às pessoas que lavem os seus corpos nas suas casas antes de saírem para as mesquitas”, explicou o principal líder religioso do país, Mufti Muneeb ur Rehman, encarregado de vislumbrar a lua para decidir o início do Ramadão e que esteve presente no encontro com o Presidente.Segundo Rehman, “os ensinamentos do Islão não permitem cancelar orações nesta situação”, referindo-se à pandemia da covid-19.Cerca de 96% dos 207 milhões de paquistaneses são muçulmanos e a religião é uma questão muito sensível no país.Líderes islâmicos radicais já tinham avisado que, se as mesquitas fossem fechadas, tomariam medidas de contestação.O país atingiu hoje 1.123 casos de infeções por coronavírus, depois de realizar 6.449 testes e registar oito mortes, segundo dados do Governo.Apesar de o primeiro-ministro, Imran Khan, ter recusado aplicar o confinamento nacional, todas as províncias adotaram, no início da semana, quarentenas mais ou menos restritas.Além disso, os comboios foram suspensos em todo o território, assim como os voos internacionais e nacionais, e as fronteiras terrestres com a China, Afeganistão, Índia e Irão foram fechadas. Entretanto, a maior e mais prestigiada organização de solidariedade do Paquistão alertou que muitas mortes por coronavírus estão a acontecer porque as famílias querem celebrar funerais religiosos, mesmo correndo o risco de propagação do vírus.“As famílias não querem declarar os seus mortos como vítimas de coronavírus para poderem enterrá-los em funerais religiosos e realizar os rituais habituais, como a lavagem do cadáver”, disse Faisal Edhi, presidente da Fundação Edhi, principal instituição de caridade do país.A fundação tem câmaras frigoríficas e as famílias, especialmente as mais pobres, trazem os corpos para que sejam conservados até que possam celebrar os seus funerais.O presidente Faisal Edhi admitiu suspeitar ter recebido várias “dezenas de cadáveres” de pessoas que morreram de coronavírus, mas que não foram registadas como tal.“A religião é um problema”, reconheceu, lembrando que o Islão estabelece a necessidade de lavar o cadáver e envolvê-lo numa mortalha antes de o enterrar.Um costume que as autoridades de saúde exigem que seja feito por pessoas com máscaras na boca e no nariz, porque os corpos podem exalar o vírus quando são movidos.Faisal também informou que “milhares de pessoas” com sintomas do vírus estão a ser rejeitadas pelos hospitais devido à falta de capacidade para lhes fazer testes e para os tratar.“Acho que o Paquistão não está preparado para lidar com esta crise. Tem poucos recursos e uma população enorme, com pouca capacidade de cooperação”, disse o presidente da fundação.“Existem instruções (quarentenas e distanciamento social), mas as pessoas não cooperam e, se se continuar assim, as comunidades sofrerão muito no final”, reconheceu.O Paquistão tem uma população de 207 milhões de habitantes e, segundo dados do Banco Mundial, menos de um médico para cada 1.000 habitantes, registando, de acordo com o Governo, apenas 132.000 camas hospitalares.O país também está a passar por uma situação económica difícil, que exigiu, no ano passado, um resgate de cerca de 5,5 mil milhões de euros do Fundo Monetário Internacional.


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